A proposta de encerrar o Saque-Aniversário do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) pode impactar mais de 35 milhões de brasileiros que aderiram a essa modalidade, segundo dados recentes.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, confirmou que o governo está preparando um projeto de lei para ser enviado ao Congresso Nacional em novembro, visando encerrar o programa.
O que é o Saque-Aniversário?

Criado em 2020, o Saque-Aniversário permitiu aos trabalhadores retirarem parte do saldo do FGTS anualmente, no mês de seu aniversário. No entanto, ao optar por essa modalidade, o trabalhador renuncia a sacar o valor total do fundo em caso de demissão sem justa causa, recebendo apenas a multa rescisória de 40% paga pelo empregador.
Essa opção de saque foi popular entre trabalhadores que buscavam acesso imediato a recursos, especialmente durante crises econômicas. Desde sua criação, mais de R$ 125 bilhões foram liberados nessa modalidade, com 35,5 milhões de adesões ativas. O Saque-Aniversário representou 26,79% de todos os saques do FGTS realizados em 2023.
Por que o Fim do Saque-Aniversário?
A motivação para extinguir o Saque-Aniversário está relacionada a, preocupações de longo prazo com a sustentabilidade do FGTS e seus impactos em programas habitacionais e de geração de emprego. Segundo cálculos da Caixa Econômica Federal, os recursos liberados pelo Saque-Aniversário poderiam ter beneficiado cerca de 662 mil famílias em projetos de habitação popular entre 2020 e 2022, além de gerar mais de 609 mil empregos.
Outro fator citado pelo governo é a falta de informação clara sobre os riscos da modalidade, especialmente no que se refere à restrição do saque integral em caso de demissão. Muitos trabalhadores que aderiram ao Saque-Aniversário não perceberam que estariam renunciando ao direito de sacar o valor total do FGTS em momentos de maior necessidade.
O que Muda com o Fim do Saque-Aniversário?
Se o projeto for aprovado, a modalidade será substituída por um novo formato de crédito consignado, no qual o trabalhador poderá usar seu saldo no FGTS como garantia de empréstimos em caso de demissão. Esse novo modelo visa dar maior flexibilidade ao trabalhador, que poderá escolher a instituição financeira que oferecer as melhores taxas para o crédito consignado, sem depender de acordos entre empresas e bancos.
Além disso, o governo deseja evitar que o FGTS continue sendo usado de forma que comprometa recursos destinados a programas sociais e habitacionais. O presidente da Caixa, Carlos Vieira, afirmou que o banco trabalhará para oferecer as menores taxas de juros no novo modelo, visando proteger o trabalhador e garantir acesso a crédito em momentos de vulnerabilidade.
Consequências para os Trabalhadores
O impacto imediato do fim do Saque-Aniversário será a impossibilidade de saque parcial anual do FGTS, o que pode frustrar muitos trabalhadores que dependiam desses recursos como uma renda adicional. Ao mesmo tempo, o novo modelo proposto promete maior proteção ao trabalhador em momentos de demissão, sem comprometer o saldo total do FGTS, que poderá ser utilizado de forma mais eficiente em políticas públicas e no crédito consignado.
Outro ponto a ser considerado é o impacto nas finanças pessoais dos milhões de trabalhadores que já aderiram ao Saque-Aniversário. Muitos usaram o fundo como garantia em empréstimos, e o fim da modalidade pode afetar diretamente esses acordos, além de limitar o acesso a novos saques futuros.
Projeções e Expectativas

A extinção do Saque-Aniversário ainda deve passar pelo Congresso Nacional, onde será debatida com mais profundidade. No entanto, as declarações do ministro do Trabalho e Emprego indicam que o governo está determinado a corrigir o que considera uma “injustiça”.
O novo modelo de crédito consignado, com o FGTS como garantia, pode ser uma solução que atenda tanto às necessidades dos trabalhadores quanto à sustentabilidade do fundo.
Considerações finais
O possível fim do Saque-Aniversário do FGTS representa uma mudança significativa para milhões de trabalhadores brasileiros.
Embora muitos utilizem essa modalidade para ter acesso a dinheiro de forma rápida, as preocupações com a sustentabilidade do fundo e o impacto em políticas habitacionais são fatores cruciais para a decisão do governo. O novo modelo de crédito consignado promete uma solução mais equilibrada, mas o debate continuará no Congresso antes de qualquer decisão final.
