O governo federal, liderado pelo presidente Lula, firmou um acordo com os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) na tarde desta quarta-feira (28/8), pondo fim a uma greve que já durava mais de 45 dias. A paralisação havia afetado significativamente os serviços oferecidos pelo INSS, como aposentadorias, perícias médicas e outros benefícios sociais.
As negociações, mediadas pelo ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, e pelo presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, avançaram nas últimas semanas, culminando no acordo assinado com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Seguridade Social (CNTSS). O governo espera que as atividades do INSS sejam retomadas até o final desta semana, com os serviços normalizados o mais rápido possível.
Papel Fundamental do INSS

O INSS desempenha um papel crucial no sistema de seguridade social do Brasil, administrando uma vasta gama de benefícios previdenciários e assistenciais, como aposentadorias, pensões, salário-maternidade e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A greve, portanto, gerou um impacto significativo, prejudicando milhões de brasileiros que dependem desses serviços.
Uma das principais conquistas do acordo foi o reconhecimento da carreira dos servidores do INSS como parte do núcleo estratégico do Estado brasileiro, garantindo que suas atribuições sejam exclusivas e evitando a terceirização de atividades. Este ponto foi considerado uma vitória importante pelos servidores, que há anos demandavam maior valorização e segurança em suas funções.
O governo apresentou duas propostas distintas aos servidores, permitindo que a categoria escolhesse a que melhor atendesse às suas expectativas. Ambas as propostas incluíam reajustes salariais e a reestruturação da carreira, contemplando servidores ativos, aposentados e instituintes de pensão.
Detalhes da Proposta Aceita
A proposta aceita pelos servidores do INSS inclui os seguintes pontos principais:
Para Nível Superior e Intermediário:
- Reajustes salariais: previstos para janeiro de 2025 e abril de 2026.
- Expansão da tabela remuneratória: de 17 para 20 padrões, com 5 padrões por classe.
- Reposicionamento de servidores: acréscimo de 3 novos padrões na classe inicial, com efeito a partir de janeiro de 2025.
- Aumento da remuneração de ingresso na carreira: ajustado a partir dos padrões iniciais.
- Majoração da Gratificação de Desempenho de Atividade do Seguro Social (GDASS): com 100% do reajuste proposto aplicado à estrutura remuneratória.
Para Nível Auxiliar:
- Reajustes salariais: previstos para janeiro de 2025 e abril de 2026.
Essas medidas representam um avanço significativo nas condições de trabalho dos servidores, que vinham reivindicando melhorias desde o início das negociações.
Repercussões da Greve e a Judicialização
A greve dos servidores do INSS teve início em 16 de julho, como uma resposta às condições de trabalho e à falta de diálogo com o governo. Durante o período de paralisação, muitos serviços essenciais foram interrompidos, prejudicando milhões de brasileiros. O governo, por sua vez, judicializou a greve, alegando que os serviços prestados pelo INSS são de natureza essencial e não poderiam ser paralisados.
Após intervenção da Advocacia-Geral da União (AGU), o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que a greve não poderia afetar os serviços essenciais, exigindo que cada agência do INSS mantivesse pelo menos 85% de suas equipes em funcionamento. A decisão, entretanto, não foi plenamente respeitada em todas as unidades, levando a cortes de ponto e outras medidas punitivas por parte do governo.
